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Em 21 de setembro, São Mateus do Sul celebra seu aniversário. Em 2026, são 118 anos de emancipação política, uma história que se une com o Rio Iguaçu, com a imigração europeia e, sobretudo, com a erva-mate, uma das grandes riquezas naturais e culturais do município.
A história de São Mateus do Sul começa muito antes de 1908.
Em 1769, o Tenente Bruno da Costa Filgueiras, à frente de uma expedição militar, chegou à região que hoje corresponde ao município. O local funcionava como pouso e ponto de apoio para as expedições que avançavam pelo interior do Paraná em direção a Guarapuava.
O povoamento mais efetivo, porém, aconteceria mais de um século depois. Segundo registros da Prefeitura, os primeiros moradores estabelecidos na região chegaram em 1877. A partir daí, diferentes grupos de imigrantes passaram a fazer parte da formação da comunidade.
A região recebeu espanhóis, alemães e, posteriormente, um grande número de imigrantes poloneses. Também há registros da presença de imigrantes ucranianos na formação das comunidades locais.
Os alemães chegaram na década de 1880, inicialmente atraídos pela possibilidade de exploração de petróleo e outros recursos minerais. A colônia passou por diferentes nomes até chegar a São Mateus.
Em 1890, a imigração polonesa ganhou uma dimensão ainda maior. Milhares de famílias chegaram à região e se estabeleceram em colônias como Iguaçu, Canoas, Cachoeira, Taquaral e Água Branca. A influência polonesa permanece profundamente presente na cultura, na arquitetura, na religiosidade, na gastronomia e nas tradições do município.
Essa mistura de histórias ajudou a formar a São Mateus do Sul que conhecemos hoje.
Localizada no sul do Paraná, São Mateus do Sul é reconhecida pela tradição na produção de erva-mate e pela forte presença da cultura do chimarrão. Mas para entender por que o mate ocupa um lugar tão importante na identidade da cidade, é preciso voltar algumas décadas antes da criação do município.
Muito antes de o chimarrão chegar às cuias que hoje circulam pelas rodas de conversa, a erva-mate já fazia parte da economia e da paisagem da região.
Nos primeiros anos de formação da colônia, a economia estava baseada principalmente na agricultura e no extrativismo da madeira e da erva-mate. Com a navegação a vapor pelo Rio Iguaçu, São Mateus se transformou em um importante porto e centro comercial regional.
A erva-mate produzida na região encontrava no rio uma importante rota para circulação e comércio, fazendo com que o desenvolvimento da cidade estivesse diretamente ligado ao chamado ciclo do mate.
É por isso que falar de São Mateus do Sul é também falar de erva-mate.
A tradição não ficou apenas no passado. A produção do mate continuou atravessando gerações e se tornou parte da identidade econômica, cultural e afetiva do município.
Em São Mateus do Sul, a erva-mate faz parte de uma tradição que reúne pessoas, histórias e costumes. Uma cuia passa de mão em mão, uma conversa começa, outra história aparece. O mate acompanha o cotidiano.
A própria cidade realiza diversos eventos dedicados à valorização dessa cultura. Em 2019, por exemplo, a Festa da Colheita do Mate reuniu produtores, comerciantes e apreciadores da erva-mate, além de uma grande roda de chimarrão com centenas de participantes. E nossos encontros anuais do AgroSamas.
Essa relação também está presente no trabalho de valorização da origem da erva-mate produzida na região.
A área de produção conhecida como IG São Matheus reúne municípios da região e está associada à tradição histórica de cultivo e beneficiamento da erva-mate. O projeto de Identificação Geográfica começou a ser estruturado em 2014, buscando reconhecer características relacionadas ao território, à produção e ao saber-fazer regional.
21 de setembro: o aniversário de São Mateus do Sul
São Mateus foi criado como município pela Lei Estadual nº 763, de 2 de abril de 1908, após seu desmembramento de São João do Triunfo.
A instalação oficial aconteceu em 21 de setembro de 1908.
Por isso, é essa data que marca o aniversário do município.
Em 1912, a sede foi elevada à categoria de cidade. Somente em 1943 o município passou a se chamar oficialmente São Mateus do Sul.
Em 2026, são 118 anos de emancipação política.
Mas a história é muito mais antiga: são séculos de ocupação, deslocamentos, imigração, trabalho, navegação, agricultura e extrativismo que ajudaram a construir a identidade da região.
Talvez uma das características mais interessantes de São Mateus do Sul seja os detalhes, ela aparece nas casas, nas igrejas, nas festas, nos sobrenomes, nas comunidades rurais, no Rio Iguaçu e nas tradições mantidas por descendentes de imigrantes.
E aparece, principalmente, na erva-mate nativa que faz parte da paisagem e da história econômica da região há mais de um século. O município é reconhecido oficialmente como uma referência regional na produção de erva-mate, e a própria Prefeitura apresenta a cidade como uma terra marcada pela cultura polonesa, pela erva-mate e pelo Rio Iguaçu.
É difícil separar São Mateus do Sul da sua erva-mate.
Assim como é difícil falar de erva-mate sem lembrar de uma cuia de chimarrão.