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A erva-mate, planta nativa da América do Sul, está profundamente enraizada na história cultural e econômica do Paraná. Por séculos, seu consumo evoluiu, assumindo novas formas e significados para diferentes povos, tornando-se um elemento marcante da identidade regional.
Os primeiros registros históricos atribuem o uso da erva-mate aos povos quíchuas, pertencentes à antiga civilização peruana. O termo “mate” origina-se da palavra quíchua “mati”, que se refere ao recipiente utilizado para consumir a bebida — a conhecida cuia ou cabaça. Com o passar do tempo, a palavra passou a designar a própria infusão.
Os colonizadores espanhóis foram os primeiros europeus a experimentar a erva-mate ao chegarem à América do Sul. Embora inicialmente houvesse resistência e preconceito, com alguns até chamando a bebida de “erva do diabo”, seu consumo logo foi incorporado ao cotidiano dos europeus. Curiosamente, as tentativas de proibição pelas missões jesuíticas entre os séculos XVII e XVIII acabaram por aumentar ainda mais o interesse pela erva. Com o tempo, os próprios jesuítas aprimoraram as técnicas de cultivo e processamento da planta, promovendo a expansão de seu comércio.
Durante as disputas territoriais entre portugueses e espanhóis no século XVII, os portugueses se depararam com a erva-mate no planalto curitibano, onde os povos indígenas Kaingang já a utilizavam há gerações. Eles a chamavam de “congoin”, termo que aos poucos foi sendo substituído pela palavra “mate”. Esse contato marcou o início de uma longa trajetória comercial que consolidaria o Paraná como um dos principais polos de produção de erva-mate.
O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, em sua passagem pelo Brasil no início do século XIX, foi um dos primeiros cientistas a estudar e descrever a planta, batizando-a de Ilex paraguariensis. Ele registrou detalhadamente o processo de colheita e preparo da erva-mate, desde a secagem das folhas no tradicional barbaquá até a produção final do pó utilizado para o chimarrão. Esse método artesanal reflete a riqueza cultural e o cuidado envolvidos na produção da bebida.
Apesar dos esforços para introduzir o chimarrão nos mercados europeus entre 1870 e 1880, a bebida não encontrou grande aceitação. O público europeu, já acostumado ao chá e ao café, estranhava o sabor característico do mate. Além disso, o ritual de preparo — que exige cuia, bomba e água em temperatura específica — tornou o consumo menos prático para os padrões europeus da época.
Embora o mate não tenha se popularizado na Europa, sua importância cultural e econômica permaneceu intacta na América do Sul, especialmente no Paraná. O chimarrão tornou-se símbolo de hospitalidade e conexão, além de ser um aliado em momentos de socialização.
Hoje, a erva-mate continua sendo parte fundamental da identidade paranaense, representando uma herança cultural rica e um elo entre o passado e o presente.
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